Funkeiro pode ser crente? E funk gospel, é pecado?

Funkeiro pode ser crente? E funk gospel, é pecado?

O DJ e cantor de funk Davi Kneip, que tem o hit “SentaDona” (“Fala que é sem sentimento; Mas quando eu sento, apaixona; Ela tá movimentando; Jogando a peteca pra cima, pra baixo; Ela tá movimentando; Jogando a peteca pra cima, pra baixo”) deu uma entrevista para a GQ na qual afirma que frequenta igreja evangélica desde criança, influenciado em grande parte pelos pais cristãos. Dono de um corpo sarado e cheio de tatuagens, o jovem diz que “durante a carreira funk, ele continua a se dedicar à religião”. "Sofri críticas por ser evangélico e estar no meio do funk. E por ser uma pessoa toda tatuada, estar no meio de festas, mas é o meu trabalho", explica. "Já aconteceu em igreja de me olhar meio estranho, de falar 'é do funk, mas tá aqui', entre outras coisas", diz Davi Kneip em material compartilhado com a mídia.

E para minha surpresa, enquanto pesquisava sobre funkeiros evangélicos, descobri uma categoria musical (devo estar muito atrasada nessa descoberta) chamada “funk gospel” e vários artistas usando o ritmo das baladas para levar mensagens supostamente cristãs. Entre eles estão o Tonzão, que canta “No Passinho Do Abençoado”, a Iza, com “Pesadão” e “Fé”, ou então o Pregador Luo, que canta “Blindadão” (Tô blindado, irmão eu tô blindado-Espírito blindado- No sangue do Senhor, ô ô -Tô blindado, irmão eu tô blindado)

Para apurar: Que outros artistas tentam conciliar carreiras consideradas “mundanas”, como a de Kneip, com uma vida cristã coerente? O que leva tantos evangélicos a condenar esse tipo de associação? E funk gospel, é visto da mesma forma pelos fiéis? O que pensam os teólogos e pastores que recebem esses artistas em suas comunidades de fé?

*Os textos publicados pelo Observatório Evangélico trazem a opinião e análise dos autores e não refletem, necessariamente, a visão dos demais curadores ou da equipe do site.


Marília de Camargo César nasceu em São Paulo, é casada e tem duas filhas. Jornalista, é editora-assistente de projetos especiais do Valor Econômico, maior jornal de economia e negócios do Brasil. É também autora de livros que provocam reflexão nas lideranças evangélicas. Suas obras mais conhecidas são Feridos em nome de Deus, Marina — a vida por uma causa e Entre a cruz e o arco-íris.